Marketing digital para médicos: o que o CFM permite e proíbe

Entenda o que a Resolução CFM 2.336/2023 permite e proíbe na publicidade médica, e como atrair pacientes pelo Instagram e pelo Google com segurança.

Ivana Maia

Ivana Maia · 5 de outubro de 2026 · 9 min de leitura

Principais aprendizados

  • A Resolução CFM nº 2.336/2023 permite que o médico divulgue valores de consultas e formas de pagamento, e faça campanhas promocionais com descontos, desde que não vincule a vendas casadas nem premiações.
  • Nas redes próprias do médico (Instagram, site, blog, WhatsApp e outras), a publicidade pode ter o objetivo de formar, manter e ampliar a clientela.
  • Continuam vedados garantir, prometer ou insinuar bons resultados, e se portar de forma sensacionalista ou autopromocional.
  • "Antes e depois" só pode aparecer em formato educativo e com regras rígidas, como mostrar também evoluções insatisfatórias e complicações, sem identificar o paciente.
  • Em caso de dúvida, o médico pode consultar a Codame, a comissão de divulgação de assuntos médicos do seu Conselho Regional.

A norma atual permite divulgar valores e fazer campanhas promocionais, com limites

Entre as permissões listadas no art. 9º da resolução, o médico pode informar valores de consultas, meios e formas de pagamento. Também pode informar que o valor de procedimentos particulares será combinado antes do atendimento.

A norma também permite anunciar abatimentos e descontos em campanhas promocionais. O limite está na própria frase: é proibido vincular as promoções a vendas casadas, a premiações e a qualquer coisa que desvirtue o objetivo final da medicina como atividade-meio.

Na prática, isso significa que divulgar a consulta com o preço e a forma de pagamento é possível. O que o médico não deve fazer é montar campanha que pareça sorteio, brinde ou pacote de venda casada.

Também fazem parte das permissões divulgar horários de atendimento, forma de marcar consulta, características do local (estacionamento, conforto, localização), planos aceitos e aparelhos com as informações do portfólio aprovado pela Anvisa.

As redes próprias podem ser usadas para formar e ampliar a clientela

O art. 8º considera redes próprias do médico sites, blogs, Instagram, YouTube, WhatsApp, Telegram, TikTok, LinkedIn e outras. E diz que, nessas redes, a publicidade pode ter o objetivo de formação, manutenção ou ampliação de clientela, além de informar a sociedade.

Isso responde a uma dúvida comum: sim, o médico pode usar o próprio Instagram para atrair pacientes, e não só para conteúdo educativo. A publicação de autorretrato (selfie), imagens e áudios também é permitida, desde que sem características de sensacionalismo ou concorrência desleal.

Há dois cuidados que muita gente ignora:

  • Publicações de pacientes ou de terceiros que o médico repostar em suas redes passam a valer como publicações dele.
  • Publicações de terceiros com elogios à técnica e ao resultado, mesmo que não compartilhadas pelo médico, podem ser investigadas pela Codame quando ocorrem de modo reiterado ou sistemático.

O que continua proibido: prometer resultado, sensacionalismo e autopromoção

O art. 11 lista as vedações. Entre as que mais aparecem na rotina de marketing:

Tema Pode Não pode
Resultado do tratamento Informar de forma sóbria o que o procedimento é e para que serve Garantir, prometer ou insinuar bons resultados
Tom da comunicação Divulgar competência e qualificação com sobriedade Portar-se de forma sensacionalista ou autopromocional
Títulos e prêmios Divulgar a qualificação técnica registrada Permitir que o nome entre em listas de "melhor médico" ou similares com foco promocional
Aparelhos Anunciar equipamentos com o portfólio aprovado pela Anvisa Atribuir capacidade privilegiada a aparelhagens ou a técnicas
Especialidade Divulgar a especialidade registrada, com o número de RQE Divulgar que trata de órgãos ou doenças específicas, quando não é especialista
Preço e promoção Informar valores e fazer campanhas com desconto Vincular promoção a venda casada ou a premiações

A lista completa tem mais itens, como propaganda enganosa e oferta de serviços por consórcio. Se o seu caso não está na tabela, leia o artigo 11 inteiro antes de publicar.

"Antes e depois" só é possível em formato educativo e com regras rígidas

O art. 14 permite o uso de imagem de pacientes com finalidade educativa, inclusive para demonstrar resultados de técnicas e procedimentos. Mas exige condições que, na prática, afastam o formato de "antes e depois" que vemos nas redes:

  • O uso da imagem deve vir com texto educativo, com as indicações terapêuticas, os fatores que influenciam os resultados e as complicações descritas na literatura científica.
  • Demonstrações de antes e depois devem aparecer em um conjunto de imagens que inclua indicações, evoluções satisfatórias, evoluções insatisfatórias e complicações.
  • Quando aplicável, deve apresentar a evolução para diferentes biotipos e faixas etárias.
  • É vedado usar imagens que identifiquem o paciente, e é vedada qualquer edição, manipulação ou melhoramento das imagens.
  • Se as imagens vêm do banco do próprio médico, é preciso autorização do paciente, respeito ao pudor e à privacidade, e garantia de anonimato.
  • Depoimentos de pacientes devem ser sóbrios, sem adjetivos que denotem superioridade ou induzam promessa de resultado.

Ou seja, o que a norma permite é um conteúdo educativo e equilibrado, e não uma foto isolada que prometa transformação. Se a sua clínica pretende usar esse tipo de material, valide antes com a Codame do seu Conselho Regional.

Anúncio pago é permitido, e o texto do anúncio segue as mesmas regras

O art. 13 reconhece o direito do médico de comprar espaço em veículos de comunicação para fazer propaganda. Isso inclui anúncios no Google e no Instagram. O fato de ser pago não muda o que pode ou não ser dito.

Na prática, o anúncio de um médico precisa seguir tudo o que foi dito acima: nada de promessa de resultado, sensacionalismo ou capacidade privilegiada, e a especialidade só pode ser divulgada com o registro correspondente e o número de RQE.

Eu cuido da estrutura dos anúncios e do caminho até o agendamento, e trabalho com a mensagem do jeito mais sóbrio e informativo possível. A conformidade do conteúdo é responsabilidade do médico, por isso o texto passa pela sua validação, e em caso de dúvida a consulta à Codame vale mais do que a minha opinião.

O Instagram gera confiança e o Google captura quem já está procurando

Para o paciente, os dois canais cumprem papéis diferentes. No Instagram, ele confere se você parece alguém em quem vale confiar antes de marcar. No Google, ele já está procurando, por exemplo, "cardiologista em [sua cidade]", e a intenção é muito mais direta.

Para essa presença, três frentes fazem diferença: um Perfil da Empresa no Google completo e correto, um site simples que diga quem você é, o que trata, onde atende e como agendar, e anúncios de pesquisa com texto sóbrio. Se você quer entender como estruturar a parte de anúncios, leia Tráfego pago para clínicas: por onde começar.

O que acontece depois do clique decide se a publicidade virou consulta

Esse é o ponto que mais vejo ser negligenciado. Muita clínica investe para aparecer e perde o paciente no meio do caminho: demora para responder o WhatsApp, ninguém sabe quantos contatos chegaram, não há acompanhamento de quem não agendou.

Imagine uma clínica que recebe vinte mensagens em uma semana, mas ninguém registra de onde vieram nem quantas viraram consulta. Ela até sente que está vindo gente, mas não sabe se o Instagram ou o Google está funcionando, nem onde o processo trava.

Por isso eu trabalho com um sistema, e não com ações soltas: atração, atendimento rápido e padronizado, e métricas de contatos, agendamentos e comparecimentos para decidir com dados.

Um checklist para revisar a sua comunicação esta semana

  1. Leia o texto oficial da resolução, principalmente os artigos 9, 11 e 14, e anote o que se aplica à sua rotina.
  2. Revise a bio do Instagram: nome, especialidade com o número de RQE, cidade e um caminho simples para agendar.
  3. Confira se algum post, anúncio ou story promete, garante ou insinua resultado, e ajuste.
  4. Revise o que as pessoas postam sobre você nas suas redes: reposts de pacientes valem como publicações suas.
  5. Atualize o Perfil da Empresa no Google com informações corretas.
  6. Defina quem responde os contatos, em quanto tempo e com qual roteiro.
  7. Registre de onde cada paciente veio, mesmo que seja em uma planilha simples.

Se quiser conversar sobre como estruturar isso para a sua realidade, posso fazer um diagnóstico estratégico da sua clínica e indicar por onde começar com segurança.

Perguntas frequentes

O médico pode divulgar o preço da consulta?

Sim. O art. 9º da Resolução CFM nº 2.336/2023 permite informar valores de consultas, meios e formas de pagamento. Em caso de dúvida sobre como apresentar, consulte o seu Conselho Regional.

O médico pode fazer promoção ou desconto?

A norma permite anunciar abatimentos e descontos em campanhas promocionais. É proibido vincular a promoção a vendas casadas, a premiações ou a algo que desvirtue o objetivo final da medicina.

Posso postar fotos de antes e depois?

Somente em formato educativo e com as condições do art. 14: texto educativo, conjunto de imagens com evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações, nenhuma identificação do paciente e nenhuma edição das imagens. Uma foto isolada que prometa resultado não se encaixa.

Posso repostar depoimentos de pacientes?

Com muito cuidado. Publicações de pacientes repostadas por você passam a valer como suas, e depoimentos devem ser sóbrios, sem adjetivos de superioridade nem promessa de resultado. Elogios reiterados ao resultado podem ser investigados pela Codame.

Médico pode fazer anúncio pago no Instagram e no Google?

Pode. O art. 13 garante o direito de comprar espaço em veículos de comunicação para fazer propaganda. O anúncio segue as mesmas regras de qualquer publicidade médica.

Quem fiscaliza a publicidade médica?

Os Conselhos Regionais de Medicina mantêm a Codame, a comissão de divulgação de assuntos médicos. O médico também tem o direito de consultá-la em caso de dúvida antes de publicar.

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Ivana Maia

Ivana Maia · gestora de tráfego que ajuda médicos e clínicas a construírem uma agenda previsível, com um sistema de atração e conversão guiado por métricas.

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